Os irmãos Ederson e Everton Muffato, controladores da rede de supermercados Super Muffato, estão preparando o terreno para indicar conselheiros no Assaí, uma rede de atacarejo da qual já detêm 11,2% das ações. Eles solicitaram ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorização para seguir investindo na companhia e exercer direitos políticos. A ideia é que, apesar de terem uma participação significativa, os irmãos Muffato não poderão ocupar pessoalmente uma cadeira no conselho do Assaí devido ao estatuto da empresa, que impede a eleição de conselheiros executivos de empresas concorrentes. No entanto, eles poderão indicar nomes profissionais sem vínculo executivo com o grupo paranaense.
A consolidação da fatia de 11,2% dos Muffato no Assaí ocorreu em fevereiro deste ano, com a liquidação de derivativos mantidos com BTG Pactual e XP. Com essa participação, os irmãos Muffato se tornam o segundo maior acionista do Assaí, atrás apenas da sul-africana Orbis, que detém 11,57%. Outros acionistas significativos incluem as gestoras Dynamo e BlackRock, ambas com 5,01%, e os hedge funds Conifer Management e Wishbone Management, ambos com 5%. O Assaí é uma corporation, ou seja, não tem um controlador definido. A estrutura de governança do Assaí, com um conselho majoritariamente independente, é um fator importante nesse cenário.
Os advogados dos Muffato argumentam que, mesmo que consigam eleger um membro para o Conselho de Administração, esse membro atuará de forma independente e não poderá ocupar cargos em empresas dos Muffato. Além disso, o membro pode ter limitações de acesso a informações se houver conflito de interesses e não terá o poder de decidir a estratégia ou o negócio da empresa. Isso sugere que os Muffato estão cientes das restrições regulatórias e estão tomando medidas para cumpri-las. A participação dos Muffato no Assaí pode ter implicações operacionais e de mercado, especialmente considerando a concorrência no setor de atacarejo.
Em termos de riscos e oportunidades, a indicação de conselheiros pode ser uma oportunidade estratégica para os Muffato influenciarem a direção do Assaí sem assumir riscos de conflito de interesses. No entanto, também há o risco de que a participação dos Muffato seja vista como uma ameaça à concorrência, levando a uma maior regulamentação ou interferência do Cade. A dinâmica do mercado de atacarejo e a governança corporativa do Assaí serão fatores importantes a serem monitorados nesse cenário.