A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em manter a Selic em 15% ao ano não trouxe novidades para o mercado, mas é um indicador de que os especialistas em investimentos estão começando a se preparar para o início de um ciclo de cortes. Com isso, surgem novas oportunidades e desafios para os investidores, especialmente ao considerar as carteiras e as estratégias de investimento adequadas para um mercado em transição.
A atuação dos investidores ao longo do tempo é baseada no equilíbrio entre risco e retorno. Em um contexto de alta Selic como o atual, a renda fixa pública ainda oferece retornos significativos em títulos do Tesouro Direto com prefixados e em papéis de inflação com duration de cinco a seis anos. Segundo Camilla Dolle, head de renda fixa do Research da XP, os títulos do Tesouro IPCA+ podem oferecer ganhos de capital interessantes antes do vencimento, tornando-se uma opção segura para investidores procuradores de rentabilidade média. Outros especialistas como Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, recomendam a investidas em prefixados com vencimento entre dois e três anos, que apresentam maior potencial de ganho de curto prazo.
Já os investimentos em renda variável, como ações e debêntures, exigem uma abordagem mais cuidadosa, considerando que os retornos são influenciados pela volatilidade e avaliação de mercado. De acordo com Marcelo Soares, sócio da One Investimentos, a assimetria do risco em títulos emitidos por empresas está menos favorável ao investidor, com potencial de ganho limitado e risco permanente, o que torna mais difícil o equilíbrio entre risco e retorno. No entanto, alguns especialistas ainda vislumbram oportunidades em empresas de setores defensivos, como energia e saneamento básico, por meio de debêntures incentivadas e fundos de infraestrutura, que podem remunerar em juro real e mitigar o risco de crédito.
É fundamental um ajuste das estratégias de investimento em função da conjuntura específica, considerando o perfil e as objetivos de cada investidor. Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) também surgem como uma opção para os mais arriscados, apesar de apresentarem maior volatilidade e de serem de alto risco.
